A caminho de Santiago - continuação...

Atualizado: 10 de jan.

Compartilhar esse diário, é estar novamente no caminho revivendo os sonhos, as emoções e os aprendizados


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12° etapa


Nossa fome era gigante, e os peregrinos que optaram por dormir em Frómista se perguntavam, e agora?


Era um domingo de feriado e todo comércio estava fechado. No albergue a hospitaleira, nada simpática, não nos permitiu cozinhar. Pra mim, uma atitude incompreensível diante da situação que nos encontrávamos.



Todos os peregrinos já haviam explorado a cidade, procurando um lugar para comer, em vão.E de volta ao albergue, a maioria decidiu aproveitar o cansaço e dormir rápido, pra esquecer da fome.


Mas eu precisava comer, todos precisavam comer. Logo, eu e o Gui inconformados, saímos novamente em busca de alguma solução.


Foi então que passamos na frente de um bar, onde alguns jovens riam e brindavam entre conversas animadas. Entrei sem pensar, na esperança de achar qualquer coisa que não fossem apenas amendoins.


O rapaz que nos atendeu, trouxe a grata notícia de que eles vendiam lasanhas congeladas pra viagem. Sem dar a chance dele recusar-se, contei-lhe a história e o convenci de aquecê-las e nos servir ali mesmo.


Enquanto garantia o jantar separando algumas porções, o Gui correu para o albergue chamando os outros peregrinos, que rapidamente estavam ali com sorrisos largos de gratidão.




Vinho e lasanha quentinha para todos!!! E de repente, estávamos rindo e conversando em inglês, francês, italiano e espanhol, tudo junto e misturado, e todos se entendiam perfeitamente!




A fome, o vinho, a saciedade, mas acima de tudo, o altruísmo e a irmandade nos uniu. Ali ficou bem claro que o caminhar nunca é sozinho, quando nos unimos a solução aparece.


Depois dessa experiência em Fromista, logo que passamos por Carrion de los Condes, uma cidade com uma boa estrutura, compramos um fogareiro, duas colheres, dois garfos e uma panela que a tampa se transformava em dois pratos.



13° etapa



A grande casa era de 1740, um tanto espartana mas muito limpa, e com uma sala aconchegante que convidava a desfrutá-la.


Assim era o albergue em Berciano del real Camino, onde Virgínia a hospitaleira-peregrina nos recebeu com chá e bolo quentinhos.


No seu entorno, uma paisagem rural, dava a sensação de que o tempo ali passava propositalmente lento, nos convidando a devanear... aceitei o convite e sentei-me num banco, mergulhando em meus pensamentos.




Voltando ao interior do albergue, encontrei Virgínia preparando gentilmente uma sopa de batatas pra nos aquecer, enquanto contava histórias intrigantes sobre o local.


A casa que havia sido transformada em albergue, preservava seu lado direito intocado. Com ar divertido, Virgínia dizia imaginar bailes noturnos acontecendo ali.


Claro que todos os presentes insistiram em conhecer o local, e como não havia luz no lado direito da casa, pegamos nossas lanternas e saímos curiosos a explorá-la.


Abrindo uma velha porta de madeira, seguimos por um pequeno e escuro corredor, onde subimos uma escada com degraus que rangiam a cada pisada.


Chegamos num grande salão com alguns objetos empilhados nos cantos, que nossas lanternas revelaram uma grossa camada de poeira instalada.


Arrepios? Vários!!! Logo, nos entreolhamos e resolvemos não perturbar mais a imaginável vida daquele lugar.



Durante o jantar conversamos sobre energias, vidas presentes, passadas, crenças e descrenças e formos dormir com profundas reflexões...







14° etapa


Com o amigo James, da Nova Zelândia

Passamos a tarde conhecendo a bela cidade de León, eu estava completamente encantada com toda sua arquitetura e com a vibrante vida local.


A lua despontou cedo ao lado das torres da catedral santa Maria, que logo se iluminou refletindo seus incríveis vitrais, formando um conjunto extraordinário aos nossos olhos.






Antes do jantar, tomamos um vinho na praça em frente ao albergue, um monastério de monjas beneditinas, que vivem em vocação contemplativa, e oferecem aos peregrinos um acolhimento confortável e bem organizado.









Ao entrarmos, o hospitaleiro transmitiu o convite das monjas para todos que ali estavam hospedados, uma benção na capela interna do albergue.


Logo estávamos lá...sentados em profundo silêncio, e de repente doces vozes cantando ecoaram por todo o templo.




A música invadiu tão forte na minha alma, que fechei os olhos para senti-la mais profundamente.


Eram vinte e duas monjas, que através de seu canto nos abençoou e nos transportou brevemente ao plano celestial. Um momento precioso!!!


No final todos estavam tomados de emoção, e seguimos silenciosamente até o quarto.


Com o coração repleto de gratidão e mergulhada em pensamentos, eu me perguntava se merecia tamanho presente!


15°etapa


Hoy es el dia de los defuntos! Nos informou Dolores, moradora local. E logo entendemos o porque de todo o comércio estar fechado...


Junto com essa informação nos encontramos novamente com o desafio de achar algum lugar pra comprar comida. Por sorte ainda conseguimos um empório aberto.


Não estávamos lembrando desse feriado, quando atravessamos tranquilamente e sem nenhuma pressa El Passo honroso, uma extensa ponte de pedra do século XIII, entrada da pequena vila de Hospital de Órbigo.


Felizmente deu tudo certo, e com as compras na bagagem seguimos para o albergue. Era uma casa antiga com móveis pesados, um jardim interno e uma cozinha grande. Não tinha um hospitaleiro, mas haviam instruções fixadas.




A tarde caía quando Sandrine e Marck, um casal de franceses chegaram. Em seguida o mexicano Martin e por fim Vicent, um tímido francês. Nenhum deles havia se dado conta do feriado, portanto não tinham comida suficiente.


Então convidamos todos a compartilhar do nosso jantar. Tínhamos vinho, macarrão, castanhas e vagem. Vicent tinha um pote de azeitonas, Sandrine e Marck traziam na mochila mais um pacote de macarrão e Martin um tablete de chocolate.


Pronto, o banquete estava garantido e enriquecido com longos papos filosóficos, que se alternavam entre o francês e o espanhol.


Apesar do jantar delicioso, tive uma noite péssima… já cansada, entrei no meu sleeping xodó sobre o colchão empoeirado, feliz em poder descansar, quando escutei barulhos no telhado, acendi a luz e flagrei três grandes ratos brincando de pega-pega.


Imaginem a minha noite... acordando a cada barulho e torcendo para que a brincadeira não chegasse perto da minha cabeça…


E você, conseguiria dormir com ratinhos passeando pelo quarto? Conta pra mim!


16° etapa


Gaudí y otras cositas más...


Passamos em Astorga ainda pela manhã, uma bela cidade onde duas rotas de peregrinação se unem, o Caminho francês e a Via da prata.


Aproveitando que havia um bom mercado, nos abastecemos de diversos mimos gastronômicos e antes de seguir viagem, visitamos alguns monumentos imperdíveis.


E de repente eu estava ali, atônita diante do palácio episcopal de Gaudí!!! Infelizmente estava fechado, mas tivemos acesso ao seu belo jardim, que oferecia uma visão esplêndida de sua arquitetura neogótica.


Mas enfim, precisávamos continuar e deixamos Astorga para trás…


Logo encontramos uma pequena ermita do século XVII, um lugar perfeito para o nosso picnic. Abrigados do sol e do vento, saboreamos uma deliciosa tortilla enquanto apreciávamos a paisagem ao redor.


No meio da tarde já estávamos em Murias de Rechivaldo. Seguindo as placas indicativas chegamos ao albergue, uma escola adaptada, onde havia um cartaz indicando o local para buscar suas chaves.


Olívia nos recebeu e contou animada sobre um pequeno pueblo a 1 km dali. Depois de um banho e com o sol ainda alto, saímos para conhecê-lo.


Castrilho de Polvarazes, um pueblo do século XVI com ruas e casas de pedras, um lugar bem turístico, mas incrivelmente lindo!


Ali assistimos a um inesquecível pôr do sol. E logo depois de um mágico e encantador lusco-fusco voltamos ao albergue.


Na praça em frente ao nosso pouso, enquanto eu escrevia no diário, o Gui preparava no fogareiro um delicioso fondue que garimpamos em Astorga. Uma noite regada a um delicioso vinho e a lua como testemunha.


17° etapa

Cruz de Ferro

Logo depois do café da manhã, nosso estoque de alimentos praticamente havia acabado. Pegamos o costume de levar sempre algum mantimento na bagagem para garantir uma refeição, portanto precisávamos reabastecer.


Nossa primeira opção seria encontrar um mercado em Rabanal del Camino, mas chegando lá, todas “las tiendas estaban cerradas”. Sem perder a fé, claro, continuamos em frente!


Foncebadón, o próximo pueblo, ficava apenas 6 km dali. Porém, este pequeno trecho é um dos três mais íngremes do Caminho Francês. E no meio da subida, a fome começou a apertar!


Ainda tínhamos manteiga, alho, azeitonas e um pão que ganhamos na noite anterior e não demos muita bola, mas que nos salvou naquele momento.


Procuramos uma sombra e fizemos torradas temperadas com os ingredientes que restavam. Para nós, um verdadeiro banquete, que apreciamos enquanto admirávamos a paisagem encantadora à nossa frente.


Depois de aproximadamente quatro horas subindo, chegamos em Foncebadón, uma cidade quase fantasma. Com muitas casas em ruínas e alguns poucos moradores.



Continuamos subindo e logo alcançamos a cruz de ferro, um dos lugares mais emblemáticos do caminho. Um ponto místico entre o céu e a terra.


Cercada de pedras colocadas por peregrinos desde tempos longínquos, e com as mais variadas intenções: Proteção, esperança, força, gratidão…


Ali depositamos também nossas pedras e propósitos.



E logo demos início a descida. Um trecho com 18 km de um caminho serpenteado, que incrivelmente fizemos em 15 minutos até Molinaseca, nosso próximo pouso.


Se o trajeto foi um desafio, chegar no albergue em Molinaseca foi um verdadeiro alívio. Tivemos uma recepção calorosa, banho quente, uma refeição restauradora e o descanso necessário para continuar o caminho.


18° etapa




Um castelo dos templários em nosso caminho!








Logo depois de pedalar 18 km de uma descida íngreme e cheia de curvas, chegamos finalmente na charmosa e turística cidade de Molinaseca.


Molinaseca

Sem perder tempo, fomos direto ao mercado reabastecer nosso estoque de alimentos. E logo depois seguimos para o albergue, uma capela com mais de 500 anos, adaptada e muito confortável.


A cidade estava em festa e apesar do cansaço, ficamos animados em dar uma volta. Que delicia foi tomar uma taça de vinho com castanhas na brasa nas barracas espalhadas pela praça!


No dia seguinte, revisamos as bikes e a câmera do meu pneu que havia furado quando passamos pela cruz de ferro, e só então seguimos viagem.




Importante levar um kit para bike, como: 1 câmara de pneu 1 kit reparo para furo 1 bomba de encher pneu 1 kit básico de ferramentas ( chave de boca, chave alien...etc)








O grande momento desta etapa nos aguardava em Ponferrada, com sua magnífica construção do século XII: O castelo dos templários!



Entramos quase que hipnotizados...Enquanto caminhava por seu pátio interno, eu pensava naqueles cavaleiros quase míticos que uniam fé e bravura, e receberam do rei Fernando II a missão de proteger os peregrinos naquele trecho do caminho.



Do alto da torre, meus pensamentos divagavam sobre o extermínio da ordem dos templários, com a falsa acusação de praticarem heresia e bruxaria. Um golpe do ambicioso rei da França Felipe IV, que levou muitos deles para fogueira.








Saindo dali, antes de continuar o caminho e ainda embriagados com essa vivência, fizemos nosso picnic numa praça perto dessa bela fortaleza da Idade Média.












E pra finalizar esse dia tão fascinante, repetimos a dose em Villafranca del Bierzo, tomando um vinho com castanhas na brasa em frente a salamandra flamejante do refúgio de peregrinos.


19° etapa

O terceiro grande desafio!

Igreja Santa Maria la Real - Cebreiro

O sol brilhava e o céu de outono era tingido de um azul intenso. Compondo esse cenário, um riacho de águas transparentes e um caminho de flores lilases nos conduziram até Vega de Valcarce.


O refúgio de peregrinos, não tinha o mesmo charme do entorno, mas era um lugar limpo e arejado. E logo que nos instalamos foi um tanto desolador descobrir que não havia água, pois o tempo estava propício para lavarmos nossas roupas que já estavam escassas.


Não éramos os únicos nessa situação. Por sorte Anne, uma peregrina francesa, lembrou que havia uma a fonte perto dali. Mateo o peregrino canadense, acenou com um sorriso animador.


De repente estávamos em cinco peregrinos , lavando roupas, rindo e cantando, como uma cena de filme.


Ficamos encabulados com os olhares curiosos de alguns moradores, mas que tiveram uma ação solidária nos ajudando a localizar o registro d’água no albergue, e garantindo nosso banho.




No dia seguinte, acordamos animados pra enfrentar o grande desafio, a terceira subida mais íngreme do caminho: O Cebreiro, na Galícia!





Apesar do sol, o frio não dava trégua. Durante a subida, o vento soprava gelado dificultando a pedalada, e a temperatura chegava perto dos 3 graus.


Mesmo com todo condicionamento que fui adquirindo pelo caminho, senti uma grande dificuldade nesse trecho.


A uma certa altura avistamos uma caminhonete, pensei em pedir uma carona, mas meu orgulho foi maior que o cansaço, e paguei o preço de provar a mim mesma que conseguiria.


Aos poucos o Cebreiro foi se descortinando aos nossos olhos, com suas casas de pedras e as circulares pallozas- cabanas Celtas.


Rodeado de mistério e misticismo, o Cebreiro guarda histórias, lendas e milagres. Em sua igreja, Santa Maria la Real, encontra-se um cálice sagrado, conhecido como o Santo Graal da Galícia.


Testei meus limites para alcançar o Cebreiro, mas todo esforço valeu a pena. Um cenário tão mágico, que me fez esquecer brevemente o cansaço.


Só me arrependo de não ter passado a noite nesse lugar fascinante. E isso é algo que o Gui não me perdoa até hoje...rsrsrs... Enfim, terei que voltar para viver essa experiência.


20° etapa

Um novo ciclo no caminho

Monastério San Julián - Samos

O vento soprava gelado e eu sentia minhas mãos doloridas segurando as manetas, mas isso me mantinha atenta, pois a descida até Triacastela facilmente poderia me distrair com seu visual encantador.


Logo que chegamos, encontramos um albergue simples, mas com uma cama bem confortável, que nos proporcionou um descanso merecido e um sono reparador.


Na manhã seguinte, nos permitimos acordar um pouco mais tarde. Afinal, não é sempre que tenho a honra de passar meu aniversário, no caminho de Santiago!


Com toda a intensidade, mergulhei nas nuances do meu dia, aproveitando cada segundo como se pudesse deixar ainda mais especial, o que já vinha sendo singular.


Passando por Samos, visitamos o incrível monastério San Julián, uma imponente construção medieval. Lá fomos bem recebidos pelo simpático padre Augustinho, com quem tivemos uma conversa bem divertida.


Passeamos com calma pelos corredores dessa construção do século XVI, admirando seus arcos e seus jardins. Eu não tinha pressa...queria absorver o néctar de cada instante, nesse lugar que me encheu de paz.



...E só então seguimos caminho.


O refúgio de peregrinos de Sarria, era bem mais aconchegante, e Carmem a hospitaleira, ao saber do meu aniversário fez questão de nos deixar à vontade.


Depois de uma ducha maravilhosa, passeamos pela cidade velha e paramos num bar típico para o primeiro brinde do dia, acompanhado dos famosos bocadillos calamares (lulas à dorê no pão).


E finalizamos no albergue com nosso ritual de sempre...um vinho, um diário e um fogareiro. Na panela um risoto de castanhas, preparado com muito amor, pelo meu amor Guilherme.


Meu coração era um misto de sentimentos: plenitude e saudades, desse caminho que já se aproximava do destino final.


21° etapa


Quanto mais nos aproximávamos de Santiago, mais meu coração transitava entre a saudade do caminho e a vontade de chegar.


Já estávamos pedalando há 22 dias com tempo firme e céu azul. Mas a partir deste momento começou a nublar e a temperatura não parava de cair.


Resolvemos ficar em Gonzar, um vilarejo rural, onde dormimos num refúgio pequeno e aconchegante.


No dia seguinte acordamos com um frio intenso...na saída colhemos algumas maçãs na frente do albergue e seguimos pedalando entre garoa e chuva.


O que parecia um tempinho sem graça, se transformou numa bela surpresa, de repente começou a nevar!


Como plumas brancas caindo do céu...suavemente...Um espetáculo maravilhoso!


Diminuímos o ritmo para admirar, e pedalamos sem pressa...eu estava completamente encantada...vibramos muito!!! Um verdadeiro presente!


Foi então que o Gui percebeu que suas luvas de lã não eram as mais apropriadas, e com as mãos molhadas, a dor começou a ficar insuportável.


Logo avistamos um bar-café no vilarejo próximo, onde entramos para nos aquecer um pouco. Que sorte! No local havia uma lareira acesa e o Gui encontrou alívio para suas mãos.


Pedimos um chocolate quente, e na TV o noticiário mostrava: O Cebreiro, que havíamos deixado há três dias, estava coberto de neve. Aaaah, esse lugar mágico conseguiu atingir o auge do seu encanto!


Pela janela do bar, vimos a neve aos poucos se dissipando com o vento, e o sol timidamente voltou a brilhar.


Retomamos o caminho, e pedalamos 55 km até Arzua, onde dormimos cheios de expectativas com a nossa chegada em Santiago.


21° etapa


Santiago de Compostela

Descemos o Monte do Gozo rumo ao clímax de nossa chegada, a catedral de Santiago de Compostela! Onde vibramos de tanta emoção!


Esse destino que nos inspirou percorrer 800 km em 24 dias, nos proporcionou vivências inesquecíveis!


Estar diante da Catedral de Santiago, nos trouxe um enorme sentimento de conquista...e atônitos observamos sua beleza e magnitude.


Naquele momento, todo o caminho passou em minha cabeça, como cenas de um filme, e com os olhos marejados, nos abraçamos!


Ao subir a escadaria e atravessar seu portal, foi impossível não perceber a energia concentrada ali, onde toda fé e sentimentos são depositados diariamente pelos peregrinos... há mais de mil anos…


Mesmo com seu interior lotado de turistas, mergulhei na mais profunda reflexão, com o coração transbordando de gratidão.


Embaixo do altar, o túmulo de Santiago era disputado pelos olhares curiosos.









Na oficina do peregrino, apresentamos nossos passaportes carimbados, e recebemos a Compostelana, um certificado escrito em Latim.








E na manhã seguinte voltamos a catedral para missa de bênção aos peregrinos. Foi um ritual com cantos e incensos.


Com o coração cheio de fé, amor e emoção comunguei com meu Eu mais profundo.


Ali não tive dúvidas que Caminho de Santiago foi uma experiência pra vida toda. Repleto de aprendizados, as vivências do caminho ficaram marcadas na minha alma.


E num abraço demorado e cheio de cumplicidade, dividi com o Gui a certeza de querer reviver o caminho.


Santiago, hasta pronto!


Como chegar:

* Aeroporto Internacional de Bayonne-Anglet-Biarritz:

conexões aéreas diretas de Paris, Lyon, Clermont-Ferrand e Londres


* Chegando em Biarritz pegue um ônibus até a estação de trem de Bayonne.

De lá, pegue um trem até Saint-jean-Pied-de-Port (início do caminho francês)

Site : www.sncf.com


Mochila/ Alforges:

Você não vai precisar de muitas peças de roupa, durante o caminho vai agradecer não ter muito peso. Considere a época do ano, ela ditará se deve levar roupas mais quentes ou mais leves.


* Procure levar 3 trocas, considerando se organizar para lavar roupas a cada dois dias.

* 1 corta vento impermeável ( importante)

* 1 lanterna pequena

* 1 squeeze ( importante se hidratar)

* pastilhas purificadoras de água


Se for ficar no abrigo de peregrinos:

* 1 sleeping bag /saco de dormir - A maioria dos abrigos não fornecem roupa de cama.

* 1 lençol fino para forrar o colchão ( muitos lugares são bem limpos, mas alguns tem muita poeira)

* 1 mini travesseiro inflável

* kit higiene (tudo em tamanhos reduzidos e recarregáveis) : Shampoo, sabonete, hidratante, filtro solar e tenha sempre na mochila 1 rolo de papel higiênico para emergências)

* Opcional, porém recomendável: kit cozinha ( vide abaixo, alimentação)



Bicicleta:

Se você for fazer o caminho de bicicleta, você tem a opção de levar sua bike, alugar ou até comprar uma por lá.


Importante levar um kit básico: 1 câmara de pneu

1 kit reparo para furo

1 bomba de encher pneu

1 kit básico de ferramentas ( chave de boca, chave alien...etc)

lanterna de bicicleta - frente e ré


Alimentação

Sem dúvida, cozinhar é muito mais barato, muitos abrigos oferecem cozinha e é uma ótima oportunidade de conhecer pessoas e confraternizar.


Mas...a melhor opção é comprar lá um kit que te deixará garantido em qualquer lugar, principalmente para os lugares que não oferecem cozinha:

1 fogareiro

1 panela

1 colher

1 garfo

1 canivete ( com faca, tesoura, saca rolhas...)


Boa viagem!!!!